sábado, 2 de maio de 2009

Do Mito à Filosofia.
O mito é uma forma de narrativa que explica a origem das coisas através de lendas e histórias sagradas. É tido como verdade por causa da pessoa que relata a historia, um poeta, um sacerdote ou um patriarca escolhido pelos deuses, os quais revelaram a estes, o começo das eras, através de visões, que os escolhidos tiveram sobre o passado, o que permitiu que a origem das coisas fosse desvendada. Após algum tempo, as pessoas passaram a questionar a veracidade dos mitos transmitidos oralmente, pois conseguiram perceber que as explicações dadas sobre a origem de todas as coisas eram contraditórias e limitadas. Durante a antiguidade clássica, na Grécia, foram se produzindo acontecimentos que promoveram as mudanças necessárias para o florescimento da filosofia.
Dentro das principais condições históricas necessárias ao surgimento da filosofia podem-se citar:
As viagens marítimas – que permitiram aos gregos descobrir que os locais que os mitos diziam habitados por deuses, titãs e heróis eram, na verdade, habitados por outros seres humanos. As viagens produziram o desencantamento ou a desmistificação do mundo, que passou, assim, a exigir uma explicação sobre sua origem, explicação que o mito já não podia oferecer.
A invenção do calendário – foi através de povos vizinhos, que conseguiram calcular o tempo, inventando o calendário, sistematizando a forma de prever frio, calor, sol, chuva, seca e outros fatores climáticos que antes acreditavam serem alterados pelos deuses. Assim revelaram uma capacidade de abstração nova, ou uma percepção do tempo como algo natural e não como um poder divino incompreensível.
A invenção da moeda – que permitiu uma forma de troca que não se realiza através das coisas concretas ou dos objetos concretos trocados por semelhança, mas uma troca abstrata, uma troca feita pelo cálculo do valor semelhante das coisas diferentes, revelando, portanto, uma nova capacidade de abstração e de generalização.
A invenção da escrita alfabética – que, como a do calendário e a da moeda, revela o crescimento da capacidade de abstração e de generalização, uma vez que a escrita alfabética ou fonética, diferentemente de outras escritas – como, por exemplo, os hieróglifos dos egípcios ou os ideogramas dos chineses –, supõe que não se represente uma imagem da coisa que está sendo dita, mas a idéia dela, o que dela se pensa e se transcreve.
O surgimento da vida urbana – com predomínio do comércio e do artesanato, dando desenvolvimento a técnicas de fabricação e de troca, e diminuindo o prestígio das famílias da aristocracia proprietárias de terras, por quem e para quem os mitos foram criados.
A invenção da política – que introduz três aspectos novos e decisivos para o nascimento da filosofia:
A idéia da lei como expressão da vontade de uma coletividade humana que decide por si mesma o que é melhor para si e como ela definirá suas relações internas.
O surgimento de um espaço público que faz aparecer um novo tipo de palavra ou de discurso, diferente daquele que era proferido pelo mito.
A política estimula um pensamento e um discurso que não procura ser formulado por seitas secretas dos iniciados em mistérios sagrados, mas que procuram, ao contrário, serem públicos, ensinados, transmitidos, comunicados e discutidos.
Fonte de dados: www.brasilescola.com/filosofia

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