quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Interpretação de texto. Ponto extra.


Tudo na natureza age segundo leis. Só um ser racional tem a capacidade de agir segundo a representação das leis, isto é, segundo princípios, ou: só ele tem uma vontade. Como para derivar as ações das leis é necessária a razão, a vontade não é outra coisa senão razão prática. Se a razão determina infalivelmente a vontade, as ações de um tal ser, que são conhecidas como objetivamente necessárias, são também subjetivamente necessárias, isto é, a vontade é a faculdade de escolher só aquilo que a razão, independentemente da inclinação, reconhece como praticamente necessário, quer dizer, como bom. Mas se a razão, só por si, não determina suficientemente a vontade, se esta está sujeita a condições subjetivas (a certos móbiles) que não coincidem sempre com as objetivas, numa palavra, se a vontade não é em si plenamente conforme à razão (como acontece realmente entre os homens), então as ações, que objetivamente são reconhecidas como necessárias, são subjetivamente contingentes, e a determinação de uma tal vontade, conforme as leis objetivas, é obrigação; quer dizer, a relação das leis objetivas para uma vontade não absolutamente boa representa-se como a determinação da vontade de um ser racional por princípios da razão, sim, princípios esses porém a que esta vontade, pela sua natureza, não obedece necessariamente.
A representação de um principio objetivo, enquanto obrigante para uma vontade, chama-se um mandamento (da razão), e a formula do mandamento chama-se Imperativo.
Kant - Fundamentação da Metafísica dos Costumes, pag. 123/124, Coleção Os Pensadores.


    sexta-feira, 9 de setembro de 2011

    Cronogramas

    Cronograma de Filosofia – Terceiro ano.
    Professor Arnoldo Romano

    3º Trimestre: 09-09-2011/09-12-2011 – 14 dias
    09-09
    Filosofia da Ciência na Renascença: Giordano Bruno. Michel de Montaigne.
    16-09*
    Tommaso Campanella. Trabalho: tópicos.
    23-09
    Filosofia Moderna: René Descartes. John Locke
    30-09*
    Filosofia Moderna: tópicos. Racionalismo x Empirismo: Trabalho.
    07-10
    Filosofia Moderna: tópicos. Iluminismo: David Hume.
    14-10 *
    Filosofia Moderna: tópicos. Iluminismo: Immanuel Kant. Trabalho.
    21-10
    Filosofia Contemporânea: tópicos. Filosofia da História: Hegel
    28-10
    Filosofia Contemporânea: tópicos. Escola de Frankfurt.
    04-11 *
    Filosofia Contemporânea: tópicos. Filosofia Analítica: Wittgenstein. Trabalho.
    11-11
    Revisão de conceitos. Debate.
    18-11
    Revisão de conceitos. Debate.
    25-11 *
    Prova trimestral.
    02-12
    Recuperação dinâmica.
    09-12
    Recuperação dinâmica.


    Cronograma de Sociologia – Terceiro ano.
    Professor Arnoldo Romano

    3º Trimestre: 09-09-2011/09-12-2011–14 dias
    09-09
    Democracia e participação política.
    16-09*
    Partidos, Eleições e Governo.  Poliarquía. . Trabalho.
    23-09
    Movimentos sociais e ONGs; Direitos civis, políticos e sociais
    30-09*
    O que são massas? . Trabalho.
    07-10
    Aceleração histórica, desenraizamento social e construção de novas identidades.
    14-10
    Meios de comunicação de massas e controle social.
    21-10 *
    O que é Ideologia? Trabalho.
    28-10
    Ideologias políticas contemporâneas.
    04-11
    Partidos políticos e conflitos ideológicos.
    11-11 *
    Mídia e Ideologia. Trabalho.
    18-11
    Revisão de conceitos. Debate.
    25-11 *
    Prova trimestral.
    02-12
    Recuperação dinâmica.
    09-12
    Recuperação dinâmica.


    quinta-feira, 30 de junho de 2011

    A tribo dos metaleiros no âmbito da sala de aula do ensino médio.

    Introdução
    Com o avanço da globalização, poderia se pensar que as diferenças regionais seriam minimizadas e em consequência disto à identidade nacional ou étnica desapareceria. Entretanto, o que acontece é uma proliferação de manifestações enfatizando a diversidade ao invés da homogeneização e da unidade, ou seja, por dentro da identidade nacional persiste um sentimento de identidade cultural transversal e perpassando o processo de globalização. O desenvolvimento tecnológico de fins do século passado promoveu uma mudança no enfoque da sociedade, que em reação a uma exacerbada mercantilização substituiu o individualismo pela necessidade de identificação com um grupo, que nucleie os indivíduos a partir de interesses em comum.  O sociólogo francês Michel Maffesoli, no seu livro “O tempo das tribos” de 1988 ressalta e caracteriza o fenômeno cunhando a expressão tribo urbana para tais agrupamentos. As tribos urbanas apresentam uma conformidade de pensamentos, hábitos, estilos musicais e formas de se vestir muito diversas entre si, no entanto, não tem projetos ou objetivos específicos, só “o aqui e agora” fundamentando um “sentimento de pertença”, um “fazer parte de” que reforça uma nova relação com o ambiente social. Como exemplo se pode citar: Skindheads, Punks, Mauricinhos, Emos, Góticos, Hippies, Surfistas, etc.
    Como professor de Filosofia e Sociologia de uma escola de ensino médio tenho o privilegio de observar os relacionamentos entre os microgrupos que se produzem na sala de aula. Porem, nesta observação participante, o trabalho foi desenvolvido com a tribo dos metaleiros que cursam o ensino médio na Escola Técnica Positiva, da cidade de Novo Hamburgo, cujos alunos alvos da investigação fazem parte de turmas diferentes dentro do âmbito escolar, porem fazem parte da mesma tribo de relacionamento.

    Observação participante I.
    Desde o primeiro dia de aula me chamaram a atenção dois rapazes sentados nos últimos lugares à minha esquerda, do lado da janela do fundo da sala de aula (para poder diferenciar chamarei de sala 1), entre eles deixaram vazia uma classe, ambos estavam vestidos de negro, o menor, de estatura, de bandana na cabeça, que deixava aparecer os cabelos compridos. Os fones de ouvido a postos para qualquer circunstancia de uso emergencial imediato, algo assim como um casulo de segurança, especulação confirmada recentemente por dois dos “metaleiros” da observação. Sobre a classe vazia, um pintinho plástico de brinquedo, de cor amarela com um colete preto (no intervalo fiquei sabendo pela professora de matemática, do amigo de ambos, que ao fazer 18 anos, foi terminar o ensino médio no EJA (Ensino de Jovens e Adultos). O sobrenome dele: Pinto). Na outra sala, a 2, na outra turma, sentados com a mesma localização, porem, de diferente maneira, um na frente do outro, também dois indivíduos de preto, salvando as particularidades, com aparência similar. No mar colorido da adolescência escolar, os de preto, camisetas e calças sem etiquetas aparentes, só a imagem de alguma banda impressa no peito. Parece ser um alerta a mercantilização da sociedade, ainda limitado pelo fato de pertencer a um segmento social que também é determinado pelo consumo. Todas as alternativas poderiam estar corretas, mas, são só especulações, muito longe da possibilidade de compreender e explicar este fenômeno particular e específico dentro desta perspectiva singular.
    Inicialmente pensei que poderia ter problemas com estes alunos, dada sua aparência rebelde marcada pelo tom das vestimentas, negro, e os enfeites, metálicos, que dão certa conotação agressiva. Ainda pensei na possibilidade de consumirem drogas, álcool, ou qualquer produto alienante, porem, para minha surpresa e com o passar das aulas matinais cheguei à conclusão que era preconceito meu. Pois, pelas suas atitudes durante as aulas percebi indivíduos curiosos e atentos ao contexto. Tudo isto no marco de uma observação puramente subjetiva e dentro da minha perspectiva ética.
    Na sala 1 há um terceiro sujeito, sentado sozinho e a minha direita, também de preto, com os fones a postos, mas diferentes dos anteriores, pois os poucos cabelos de uma incipiente calvície precoce destoam com a imagem da tribo. Ainda assim pode ser incluído no grupo.
    No contexto da sala de aula foram sendo modificados os critérios pelos quais eu interpretava o grupo, da mesma maneira como também se modificou a perspectiva deles com respeito a mim. Ainda que não sejam alunos exemplares, administram bem as disciplinas que estão cursando. Nas aulas de espanhol que eu ministrava às tardes vinha um dos alunos da sala 1, com bom rendimento; como tenho formação em música e ao verificar o interesse deles ao respeito, e tendo uma janela de horário, propus aulas de algum instrumento, por exemplo: violão, baixo, gaita de boca, etc. Ao que prontamente também responderam outros alunos das diferentes turmas, as aulas não teriam nenhum custo adicional, mas, deveriam estar com todas as disciplinas em situação satisfatória. Tudo isto implicou numa aproximação maior com um dos alunos que chamarei pelo “Nickname”: Azmodan.
    O perfil socioeconômico e o grau de escolaridade dos progenitores são heterogêneos, ao que parece são muitos os elementos subjetivos para continuar a investigação desta maneira. Devido a esta limitação e aproveitando meu trabalho de aula preparei quatro questões para eles responderem:
    Qual é a minha tribo?
    A musica é importante?
    Qual é a aparência da minha tribo?
    Minha tribo é só uma ou são varias, uma confluência de tribos?

    Observação participante II.
    Historicamente e pelo meu conhecimento dos movimentos musicais da década de ´60, ´70, posso dizer que o movimento deve ter evoluído do “hardrock” e o “heavymetal” inglês, de bandas musicais como Black Sabbath, Deep Purple, Uriah Heep, de um estilo de ritmo alucinante e pesado, que promovia nos fans, sobre o efeito de droga e bebida, um estado de violencia catártica.
    Vou me referir a cada um deles atraves dos “Nickname”, Azmodan, Kosuke, Cebola, Outro, Nãofala.  Segundo Azmodan o nome correto da tribo seria “headbanger”, e que para descreve-la “não pode generalizar”, pois cada membro é singular. Há gente que age pelos instintos, são agressivos e ignorantes, que desconhecem o conteudo das letras das bandas, assim como tambem há pessoas cultas, outras reclusas, e outras que misturam o culto com o agressivo. Kosuke e Azmodan falam em não poder esquecer dos otakus, aclaram que são pessoas viciadas em diferentes coisas, por exemplo: anime (um tipo de desenho japonês), mangá (história em quadrinhos japonês que começa detras para frente), ou games on line.
    Numa certa medida eles se declaram antisociais, as letras das bandas, assim como as possiveis leituras, têm a ver com ódio, furia, sátiras dirigidas à igreja, satanismo, etc. Cebola se manifesta abertamente racista, coisa que os outros não deixaram entrever, ainda que demonstrem uma profunda aversão pelos pagodeiros assim como pelos emos, integrantes de outras tribos urbanas. A música é o elemento aglutinador das tribos, e o que diferencia umas das outras, “não existe vida sem música” afirma Kosuke. Segundo o Outro há muitos generos de metal, algo que Azmodan enumera como metal industrial, Nu metal, metal sinfonico, power metal, death metal, black metal, etc.
    As aulas começam 7:45´hs. e normalmente quando entro na sala 2, a conversação do grupo transcorre calmamente. Me disponho à comecar a aula, e eles, devagar, se retiram a sua sala, 1. A essa hora da manhã já rodou muita música nos seus ouvidos, muito metal, a muito volume.

    Conclusão.
    Todos os individuos das duas turmas responderam as questões. As respostas foram variáveis, porem, o ponto em comum foi à música, que une, que delimita, que separa. A idade do conjunto oscila por volta dos 15, 16 anos.
    A diversidade de esta tribo se manifesta no projeto individual, Kosuke tenta desenvolver games, Azmodan desenha, quer aprender a tocar algum dos instrumentos que ja tem em casa, Cebola esta estudando bateria, Outro parece estar de ferias, Nãofala não se sabe. Tudo isso é claro que além das disciplinas escolares que cada um negocia da melhor maneira possível e de acordo com a sua capacidade. De uma situação de rebeldia e confronto aparente, alguns passaram a tentar contestar menos, e tirar melhor proveito das aulas. Percebe-se uma grande sensibilidade, e em conseqüência uma necessidade maior de proteção, o que determina uma aparência agressiva. Simultaneamente ao fato de “fazer parte de”, se sobrepõe uma individualidade que em alguns casos pode ser vista como antisocial, e acreditada como tal.   
    Parece ser que todos os movimentos da contracultura são tribos urbanas, mas sera que todas as tribos urbanas são movimentos da contracultura?
    Professor Arnoldo Romano

    quinta-feira, 19 de maio de 2011

    Cronogramas

    Cronograma de Filosofia – Terceiro ano.
    Professor Arnoldo Romano


    2º Trimestre: 20-05-2011/02-09-2011 – 15 dias
    20-05
    Historia da Filosofia.
    27-05
    Filosofia Antiga: tópicos. Sócrates.
    03-06 *
    Filosofia Antiga: tópicos. Platão.
    10-06
    Filosofia Antiga: tópicos. Aristóteles.
    17-06 *
    Filosofia Antiga: tópicos. Cinismo, Ceticismo e Estoicismo. Trabalho.
    24-06
    Filosofia Patrística: tópicos. Conciliar o pensamento Cristão ao filosófico.
    01-07 *
    Filosofia Patrística: tópicos. Santo Agostinho. Trabalho.
    08-07
    Filosofia Medieval: tópicos. Dialéticos e teólogos.
    15-07
    Filosofia Medieval: tópicos. Cristandade e sociedade.
    22-07 *
    Filosofia Medieval: tópicos. Santo Tomás de Aquino. Trabalho.
    05-08
    Revisão de conceitos. Debate.
    12-08
    Revisão de conceitos. Debate.
    19-08 *
    Prova trimestral.
    26-08
    Recuperação dinâmica.
    02-09
    Recuperação dinâmica.

    Cronograma de Sociologia – Terceiro ano.
    Professor Arnoldo Romano

    2º Trimestre: 20-05-2011/02-09-2011 – 15 dias
    20-05
    Poder e prática da política.
    27-05
    O que é poder?
    03-06 *
    A política contemporânea. Maquiavel. Trabalho.
    10-06
    Claude Lévi-Strauss
    17-06
    Ordem social e dominação.
    24-06 *
    Burocracia: Dominação legítima e racional. Trabalho.
    01-07
    Gilberto Freyre
    08-07 *
    Estado e sociedade de classes. Trabalho.
    15-07
    Estruturação do Estado. Estratificação e mobilidade social.
    22-07 *
    Cultura, contracultura e mercado. Trabalho.
    05-08
    Florestan Fernandes
    12-08
    Revisão de conceitos. Debate.
    19-08 *
    Prova trimestral.
    26-08
    Recuperação dinâmica.
    02-09
    Recuperação dinâmica.

    quinta-feira, 28 de abril de 2011

    CONTRATUALISMO

    CONTRATUALISMO:
     Teoria que postula um acordo expresso ou tácito dos cidadãos como fundamento da sociedade, da moral social, do direito e do Estado.

    CONTRATO SOCIAL:
    ¨  Acordo entre os membros da sociedade, pelo qual reconhecem a autoridade, igualmente sobre todos, de um conjunto de regras, de um regime político ou de um governante.
    ¨  Num “estado de natureza”, as ações dos indivíduos estariam limitadas apenas por seu poder e sua consciência.

    THOMAS HOBBES
    1588 – 1679.  Nasceu em Malmesbury, Wiltshire e morreu em Hardwick Hall, Inglaterra.
    1651 – Leviatã: ou a matéria, forma e poder de uma republica eclesiástica e civil.
    O homem sempre se preocupa com a estabilidade do prazer.

    JOHN LOCKE
    1632 – 1704 Nasceu em Wrinton, Somerset e morreu em Essex, Inglaterra.
    1689 Dois tratados sobre o governo.
    Considerava que, caso o governo ultrapassasse os limites estipulados, o contrato estaria quebrado e os sujeitos teriam o direito de se rebelar.
    JEAN JACQUES ROUSSEAU

    1712 – 1778 Nasceu em Genebra, Suíça e morreu em Ermenonville, França.
    1753 Discurso sobre a origem e fundamentos da desigualdade entre homens, 1762 O contrato social.
    “O que o homem perde pelo contrato social é a liberdade natural e um direito ilimitado a tudo quanto aventura e pode alcançar. O que com ele ganha é a liberdade civil e a propriedade de tudo o que possui.” 
    ESTADO DE NATUREZA
    Estado histórico ou imaginário?
    HOBBES
    É uma hipótese pura da razão. Jamais existiu, nem existirá, ainda que se existissem situações semelhantes ao estado de natureza em determinado tempo e espaço (relações entre grupos sociais independentes, guerra civil, anarquia).

    LOCKE
    Semelhante ao expressado por Hobbes, é uma sorte de abstração ainda que existam casos que guardem certa semelhança com dita abstração (relações entre soberanos de governos independentes, dos homens vivendo numa ilha deserta, um suíço e um índio vivendo em América).

    ROUSSEAU
    É um estado histórico e, em consequência, não hipotético baseado na teoria do bom selvagem. Constitui um caso exemplar de humanidade.

    Pacífico ou belicoso?
    HOBBES
    É um estado de guerra e negativo, consequente com duas caraterísticas naturais e contraditórias do homem: o amor de si e a fragilidade.
    LOCKE
    É um estado de paz, ainda que de índole precária ou provisional. Seria de paz perpetua se todos os homens fossem sempre racionais.
    ROUSSEAU
    A diferença dos outros teóricos, sua concepção não é dual senão como uma tríade.  Desde este ponto de vista o estado de natureza constitui um momento positivo, seguido por um momento negativo (sociedade civil) e um novo momento positivo (república). O estado de natureza é um estado de paz.

    Isolamento ou vida em sociedade?
    HOBBES
    Isolamento. Só indireta e esporadicamente os homens se relacionam entre si, movidos pelo amor de si e sua própria fragilidade.
    LOCKE
    Isolamento. É o instinto de conservação o que mobiliza ao homem a se relacionar.
    ROUSSEAU
    Isolamento. A vida do homem natural se desenvolve em um feliz isolamento dos demais homens, movido exclusivamente pelo amor de si. O homem é feliz, porém não livre.
    O CONTRATO SOCIAL
    Fato histórico ou uma verdade da razão?
    HOBBES
    É uma verdade da razão na qual o Estado surge dum pacto que os indivíduos estabelecem entre eles e que tem o objetivo de obter a segurança da vida mediante a submissão recíproca a um só poder.
    LOCKE
    O contrato é concebido como uma verdade da razão, mas que como um fato histórico, enquanto é um elo necessário da cadeia de raciocínios que começa com a hipótese de indivíduos isolados, livres e iguais que acordam em forma recíproca.
    ROUSSEAU
    O pacto entre ricos e pobres que deu origem historicamente ao Estado, foi arrancado mediante o engano, e pelo tanto é ilícito. O contrato social mediante o qual o homem corrupto da sociedade civil deveria reencontrar a felicidade, é uma ideia puramente  reguladora da razão.

    Objeto do Contrato
    HOBBES
    Renunciar a tudo o que resulta indesejável do estado de natureza aos efeitos de proteger o direito à vida e a segurança (a busca da paz).
    LOCKE
    Consiste em proteger os direitos do homem natural: a liberdade, a vida e a propriedade. O estado de natureza não é perfeito, como consequência de que aí não existe um juiz imparcial que não seja parte das diferentes causas que se apresentam. Os indivíduos aqui renunciam a um só direito: o de fazer justiça pela própria mão.
    ROUSSEAU
    A diferença do resto dos autores jus naturalistas, o corpo político que emana do contrato social tem a ideia de transforma-lo (superação do pacto inócuo).

    Esquema do Pacto
    HOBBES
    Único pacto (pactum unionis) mediante o qual cada um dos indivíduos que compõem uma multidão, cede a um terceiro (uma pessoa ou uma assembleia) o direito que tem no estado de natureza de se autogovernar com tal que todos os demais façam a mesma coisa. Essa pessoa individual ou coletiva se encontra fora do pacto e, por conseguinte, não limitada por este.
    LOCKE
    Se planteiam duas convenções sucessivas: um pacto de associação, mediante o qual os indivíduos aceitam viver juntos, o que constitui a sociedade civil; e um pacto de sujeição mediante o qual se instaura e se aceita o poder político. A primeira convenção da origem ao direito privado; a segunda ao direito público.
    ROUSSEAU
    O esquema adota a figura de um esquema duplo, pelo qual se leva a cabo: a) um primeiro pacto no que se funda a sociedade civil, entendido como inócuo e por tanto ilegal, proposto pelos ricos aos pobres, e ao que se entende como a origem da degeneração resultante do direito de propriedade; b) o contrato social, pelo qual os homens tentam recuperar a felicidade e obter a liberdade através da consolidação de uma república baseada no principio da vontade geral.
    A SOCIEDADE CIVIL
    Poder soberano absoluto ou limitado?
    HOBBES
    Absoluto, entendendo o poder absoluto no sentido "legibus solutus"; é dizer, o soberano separado das leis civis que ele mesmo tem o poder de criar.
    LOCKE
    Limitado. Sua teoria do contrato social se estabelece a partir de homens livres, não entre governantes e governados.
    ROUSSEAU
    Absoluto. O pacto social outorga ao corpo político um poder absoluto entendido como soberania

    Poder soberano indivisível ou divisível?
    HOBBES
    Indivisível em quanto a órgãos. Rechaça-se aqui toda possibilidade de governo misto a os efeitos de não permitir qualquer possibilidade de anarquia resultante de crises de poder.
    LOCKE
    Divisível enquanto a funções. Os poderes legislativo e executivo devem ser desempenhados por órgãos diferentes. De todos os modos, comparte o critério de unidade de Hobbes ao entender o poder soberano como um só, ainda que trate de restringir toda possibilidade de poder despótico.
    ROUSSEAU
    Indivisível em termos de que a soberania radica na cidadania reunida em assembleia como expressão da vontade geral. Sua teoria, não entanto pretende salvar a unidade do Estado (pelo que se declara admirador de Hobbes), e a liberdade dos indivíduos (pelo que certamente é um seguidor de Locke).

    Poder soberano resistível ou irresistível?
    HOBBES
    Irresistível. O súbdito tem unicamente o dever de obedecer.
    LOCKE
    Resistível. Para o autor, o pior dos males é o despotismo. Por isso, em determinados casos, o povo pode exercer o direito de resistência e, em consequência, não obedecer aos mandatos do soberano.
    ROUSSEAU
    Irresistível ainda que também sustem que somente na obediência absoluta, quando se entende por obediência a submissão à lei que cada um tem se concedido dentro da mais absoluta liberdade. Assim como a soberania nunca pode alienar-se, a desobediência deve ser entendida como dirigida ao corpo social do que cada um é parte constitutiva.